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PUBLIC RELEASE DATE:
15-Sep-2011

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A revista Science relata que o ciclo do carbono penetra na manta inferior da Terra

Evidência do ciclo de carbono encontrada em diamantes "superprofundos" do Brasil

Esta comunicado está disponível em inglês e espanhol.

O ciclo do carbono, do qual a grande maioria dos seres depende, atinge profundezas da Terra muito além do que se supunha, chegando até sua manta inferior, relatam os pesquisadores.

As conclusões, baseadas na composição química de raros diamantes brasileiros, estão na edição da Science de 15 de setembro de 2011. Este periódico é publicado pela AAAS, uma sociedade científica internacional sem fins lucrativos.

"Este estudo revela a extensão do ciclo de carbono em todo o planeta, interligando processos químicos e biológicos que ocorrem desde a terra firme e os oceanos até as longínquas profundezas do interior da Terra", afirmou Nick Wigginton, editor-sócio da Science.

"Resultados como este nos dão uma perspectiva bem mais ampla do planeta Terra como um sistema integrado e dinâmico, acrescentou.

O ciclo do carbono refere-se geralmente ao movimento do carbono pela atmosfera, oceanos e crosta. Observações anteriores sugeriam que este ciclo poderia chegar até o manto superior, o qual estende-se aproximadamente 400 quilômetros ao interior da Terra. Nesta região, as placas da crosta oceânica - que trazem uma camada de sedimentos rica em carbono - mergulham sob outras placas tectônicas e misturam-se com a rocha fundida do manto.

Estudos sismológicos e geoquímicos sugerem que a crosta oceânica pode penetrar até o manto inferior, mais de 660 quilômetros para baixo. Mas amostras de rocha com este histórico são extremamente raras.

Michael Walter da Universidade de Bristol e seus colegas no Brasil e nos Estados Unidos analisaram um conjunto de diamantes "superprofundos" dos kimberlitos de Juína no Brasil. O grosso dos diamantes escavados na superfície provém de profundidades inferiores a 200 quilômetros. Entretanto, determinadas regiões do mundo produziram diamantes raros e superprofundos, contendo inclusões minúsculas de outros materiais cuja composição química indica que esses diamantes formaram-se em profundidades bem maiores.

Os diamantes de Juína-5 estudados por Walter e seus colegas contêm nas inclusões uma série de minerais formados quando o basalto se funde e cristaliza nas pressões e temperaturas extremas da manta inferior.

Logo, as inclusões provavelmente se deram quando as jazidas formadoras de diamantes incorporaram componentes basálticos da litosfera oceânica que desceram até a manta inferior, concluíram os pesquisadores.

Se esta hipótese estiver correta, o carbono que forma os diamantes pode ter sido depositado originalmente na crosta oceânica no fundo do mar. Essa ideia é reforçada pela relativa abundância de isótopos leves de carbono nos diamantes de Juína-5, pois essa forma mais leve é encontrada na superfície, sem que ocorra normalmente na manta, afirmam os autores.

As inclusões de diamante incluem também fases distintas que aparentam ter sido "separadas" do volume de material homogêneo. Esta separação provavelmente ocorreu ao passo que os diamantes foram se deslocando centenas de quilômetros no sentido da manta superior, afirmam os pesquisadores.

Após a sua formação na manta inferior, os diamantes podem ter sido lançados de volta à região da superfície por uma pluma ascendente na manta, propõem Walter e seus colegas.

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Esta pesquisa contou com o apoio do Natural Environment Research Council e da National Science Foundation.

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