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PUBLIC RELEASE DATE:
6-Dec-2012

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Contact: Lea M. Parks
lea.parks@melisainstitute.com
MELISA Institute

Superestimação das mortes de aborto no México dificulta os esforços na reduçao da mortalidade materna

Este comunicado está disponível em Inglês e Espanhol.

Um estudo conjunto realizado no México por pesquisadores da Universidad Popular Autónoma del Estado de Puebla (México), University of West Virginia-Charleston (EEUU), Universidad de Chile e do Instituto da Epidemiologia Molecular da Universidad Católica de la Santísima Concepción (Chile), revelou que IPAS-México superestimou 35% a mortalidade materna e mortalidade por aborto nas duas últimas décadas no país. A pesquisa recentemente publicada no International Journal of Women's Health destaca que o México apresentou uma redução da mortalidade materna entre 1957 e 2010 de 82,7%, desde 216,6 a 37,5 óbitos por 100.000 nascidos vivos; para o período entre 1990 e 2010, esta redução foi 30,6%. "Estes resultados contradizem diretamente os números recentemente divulgados por pesquisadores do IPAS-México, quem não só não detectaram progressos significativos na saúde materna desde 1990, senão superestimaram as taxas de mortalidade materna no México", disse Elard Koch, epidemiologista chileno que liderou a pesquisa.

Os pesquisadores reanalisaram as causas de morte materna registradas oficialmente no México utilizando a Classificação Internacional de Doenças (CID) da Organização Mundial de Saúde e as cifras de nascidos vivos observados em cada ano. Eles também realizaram uma comparação direta dos resultados com estudos realizados pelo IPAS-México, detectando que as discrepâncias com o último foram devido a erros no numerador e denominador das taxas de mortalidade e o uso impreciso dos códigos de morte da CID. "Por exemplo, é comum encontrar o grupo de nove códigos associados à morte materna com desenlace abortivo como se fossem o resultado de aborto induzido ilegal; isto é claramente inadequado já que a gravidez ectópica, as perdas espontâneas, produtos anormais da contracepção e aborto médico não estão relacionados com o aborto ilegal." explicou Byron Calhoun, um especialista em Obstetrícia e Ginecologia na University of West Virginia-Charleston e co-autor do estudo.

As taxas de mortalidade por aborto também foram superestimados. De fato, o estudo mostra que a mortalidade por aborto induzido no México diminuiu ao ponto de que cerca de 98% do total das causas de morte materna no país estão ligadas com hemorragias no parto, hipertensão e eclampsia, causas indiretas e outras condições patológicas não associadas com abortos induzidos. Koch indicou que "dada a baixa mortalidade por aborto observada no México e resultados semelhantes no experimento natural do Chile publicados em maio deste ano na revista PLOS ONE, é improvável que a mudança no estatuto legal do aborto pode ter efeitos significativos sobre a mortalidade materna. "Por exemplo, em 2009 houve um total de 1.207 mortes maternas no México, das quais apenas 25 eram atribuíveis ao aborto induzido, com uma taxa de 0,97 por 100.000 nascidos vivos. No caso do Chile, para um total de 43 mortes maternas observados em 2009, apenas uma poderia ser atribuída ao aborto induzido, com uma taxa de 0,39 por 100.000 nascidos vivos. O epidemiologista agregou que "investigar com precisão quais são as principais causas de mortes maternas é crucial para orientar uma adequada política de saúde pública e distribuição de recursos, que nunca são ilimitados."

Um fato que preocupou aos pesquisadores é que algumas das mortes por aborto no México possivelmente estariam relacionadas com a violência contra as mulheres durante a gravidez, cuja prevalência tem aumentado de forma alarmante no país. A Pesquisa Nacional sobre Violência contra as Mulheres (Encuesta Nacional de Violencia contra las Mujeres, ENVIM), realizado em 2003 e 2006 mostram um aumento na prevalência de violência por parceiro de 9,8% para 33,3% e de violência física durante a gravidez de 5,3% para 9,4%. Koch disse que "juntamente com algumas mortes devido a perda espontânea rapidamente complicada por sepse, a ruptura de membrana e do aborto subsequente são frequentemente observadas em mulheres grávidas que sofrem de episódios de violência física excessiva, quedas ou acidentes. Se não recebem atenção médica oportuna, essas mulheres podem morrer de complicações. É importante notar que essas mortes são inevitáveis modificando as leis sobre o aborto, simplesmente porque eles são o resultado de outras causas, especialmente devida a falência de órgãos múltipla por choque séptico resistentes aos antibióticos. Na verdade, essas mortes ocorrem em quase qualquer parte do mundo, mesmo com os mais altos padrões de saúde materna, independentemente do status legal do aborto."

Os pesquisadores concluíram que a implementação de unidades de emergência obstétrica e o acesso oportuno para cuidar de gravidez de alto risco, especialmente nas regiões mais vulneráveis, ​​são a chave para continuar reduzindo a mortalidade materna no México. "Centenas de mulheres mexicanas estão morrendo de hemorragia, eclâmpsia e causas indiretas e isso requer estratégias muito concretas que claramente não estão relacionados com o status legal do aborto" sentenciou o pesquisador.

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Koch E, Aracena P, Gatica S, Bravo M, Huerta-Zepeda A, Calchoun BC (2012) Fundamental discrepancies in abortion estimates and abortion related mortality: A reevaluation of recent studies in Mexico with special reference to the International Classification of Diseases. Int J Women Health 4: 613-623.

Koch E, Thorp J, Bravo M, Gatica S, Romero CX, et al. (2012) Women's Education Level, Maternal Health Facilities, Abortion Legislation and Maternal Deaths: A Natural Experiment in Chile from 1957 to 2007. PLoS ONE 7(5): e36613. doi:10.1371/journal.pone.0036613.

Para mais informações sobre este tema ou para agendar uma entrevista com o Dr. Koch e/ou Dr. Calhoun, por favor, entre em contato com Lea Parks, Gabinete de Relações Públicas do Instituto MELISA para lea.parks@melisainstitute.com ou +56 41 234 5814.



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