[ Back to EurekAlert! ] VEDADA A DIVULGAÇÃO ATÉ, 14h00 do horário do leste dos EUA, Quinta-feira, 20 de outubro

Contato: Natasha Pinol
npinol@aaas.org
+1-202-326-7088
American Association for the Advancement of Science (AAAS)

A extração de madeira duplica a ameaça à Amazônia, rivalizando com o desmatamento, sugere estudo da Science

A extensão da degradação da floresta pode ser o dobro do estimado anteriormente

As atividades humanas estão degradando a floresta amazônica em uma taxa duas vezes mais acelerada do que a estimada anteriormente, conforme sugere um novo estudo que acrescenta os efeitos da extração de madeira aos do desmatamento. A pesquisa saiu na edição de 21 de outubro da revista Science, publicada pela AAAS, sociedade científica sem fins lucrativos.

Até agora, os métodos para medir o desmatamento em grandes áreas através do uso de satélite só conseguiam detectar faixas de terra desmatadas, onde todas as árvores foram removidas para abrir espaço para as atividades agrícolas ou pecuárias.

Um novo método de imagens por satélite, desenvolvido por Gregory Asner, da Carnegie Institution of Washighton, e colaboradores, detecta o desmatamento em escala mais delicada, permitindo aos pesquisadores identificar áreas onde as árvores foram raleadas, devido principalmente à "extração seletiva". Nesse tipo de desmatamento, apenas certas espécies comercializáveis de madeira são cortadas, sendo as toras transportadas para as serrarias. Pouco se sabia sobre a extensão ou impactos da extração seletiva sobre a Amazônia até agora, segundo os autores.

Para detectar e quantificar a quantidade de extração seletiva nos cinco principais estados de produção madeireira da Amazônia brasileira, os pesquisadores utilizaram o novo Sistema de Análise Carnegie Landsat. Essa tecnologia lhes permitiu penetrar em cada pixel da imagem produzida por um trio de satélites e determinar a porcentagem de terra com floresta e desmatada dentro de cada pixel. (Ao contrário, a interpretação convencional da imagem de um satélite considera cada pixel como inteiramente coberto ou inteiramente desmatado.)

"Este método nos dá um mapa incrível dos tipos de perturbações disseminadas mas muito difusas que existem no Brasil ou em qualquer floresta tropical", disse Asner.

Os pesquisadores constataram que, de 1999 a 2002, a extração seletiva de madeira aumentou entre 60 a 128 % a área de floresta danificada em relação ao relatado somente para o desmatamento no mesmo período de estudo.

O volume total de árvores extraídas representa aproximadamente de 10 a 15 milhões de toneladas métricas de carbono removidas do ecossistema, segundo os autores. Eles estimam que essa quantidade represente um aumento de 25 % no fluxo geral de carbono da floresta amazônica para a atmosfera

A extração de madeira causa também perturbações ecológicas consideráveis. As trepadeiras que se enroscam nas árvores podem puxar consigo grandes quantidades de vegetação quando uma árvore cai. A floresta também fica mais seca e mais inflamável à medida que as copas sombreadas diminuem.

"As florestas que sofrem extração de madeira são áreas de danos extraordinários", disse Asner. "A copa de uma árvore pode atingir 25 metros. Quando se derruba uma árvore, isso causa muitos danos ao andar de baixo. É um campo de destroços lá embaixo."

###

Os co-autores do trabalho de Asner são David E. Knapp, Eben N. Broadbent e Paulo J.C. Oliveira da Carnegie Institution of Washington, em Stanford, CA; Michael Keller, do USDA Forest Service, International Institute of Tropical Forestry, em Rio Piedras, Porto Rico e da University of New Hampshire, em Durham, NH; e José N. Silva da EMBRAPA-Amazônia Oriental no Pará, Brasil. Este estudo foi financiado pela Carnegie Institution of Washington e pela NASA.

A Sociedade Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) é a maior sociedade científica geral do mundo e editora da revista Science (www.sciencemag.org). A AAAS foi fundada em 1848 e atende cerca de 262 sociedades e academias de ciência afiliadas, atendendo 10 milhões de indivíduos. A Science possui a maior circulação paga do mundo de qualquer revista científica geral com revisão de especialistas, com um total estimado de um milhão de leitores. A AAAS (www.aaas.org), sem fins lucrativos, é aberta a todos e cumpre sua missão de "avançar a ciência e servir à sociedade" através de iniciativas em políticas de ciência, programas internacionais, educação em ciência e mais. Para obter as notícias mais recentes sobre pesquisa, entre no EurekAlert!, www.eurekalert.org, o mais destacado site de notícias de ciência, um serviço da AAAS.


[ Back to EurekAlert! ]