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A expansão de invasores da Estepe foi marcadamente reduzida na Península Ibérica comparativamente ao resto da Europa

Análise de ADN antigo reconstrói a história genética de Portugal e Espanha

PLOS

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IMAGE: Enterramento primário pertencente ao indivíduo masculino MCI.337, recuperado do Hipogeu de Monte Canelas I (Alcalar, Portimão, Portugal), analisado pela antropóloga Ana Maria Silva.... view more 

Credit: Rui Parreira, UNIARQ, University of Lisbon, Portugal.

Os genomas de indivíduos da Idade do Bronze, que viveram no atual território Português, tiveram um reduzido influxo genético por parte de invasores provenientes da Estepe Euroasiática. Estes dados sugerem um papel reduzido destas expansões na cultura e composição genética dos povos da Península Ibérica, comparado com outras regiões da Europa.

Uma equipa internacional composta por Rui Martiniano e Daniel Bradley, geneticistas do Trinity College Dublin (Irlanda) e Ana Maria Silva, bioantropóloga do Departamento Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, em conjunto com investigadores da Universidade de Lisboa e do Algarve, publicaram estes resultados no dia 27 de Julho, na revista PLOS Genetics.

Durante o período que abrange o Neolítico Médio (4200-3500 BC) e a Idade do Bronze Médio (1740-1430 BC), a Europa do Norte e Central receberam um enorme movimento populacional proveniente da Estepe Euroasiática. Diversas investigações arqueológicas revelaram mudanças da cultura material e das práticas funerárias durante este período. Contudo, o impacto genético associado a estas mudanças, não tinha ainda sido analisado na Península Ibérica. Os investigadores sequenciaram os genomas de 14 indivíduos que viveram durante o Neolítico e a Idade do Bronze em atual território Português e, compararam-nos com outras amostras pré-históricas e modernas. "Em contraste com outras regiões europeias, os investigadores detetaram apenas uma mudança genética muito subtil durante a transição do Neolítico para a Idade do Bronze, resultado de migrações ou contacto com outros povos fora da Península", diz Rui Martiniano, autor principal do estudo e investigador do Trinity College Dublin.

Outro foco desta investigação foi a estimativa da estatura destes indivíduos exclusivamente a partir de dados genéticos, descobrindo-se que o influxo genético associado às migrações do Neolítico levou à diminuição da estatura dos Europeus, que progressivamente aumentou durante gerações seguintes.

Este estudo demonstra ainda que durante a Idade do Bronze, as migrações para a Península Ibérica ocorreram a um nível muito mais reduzido quando comparadas com a Europa do Norte e Central, o que poderá ter tido implicações ao nível da transmissão de línguas, culturas e tecnologia. Estes achados poderão ainda explicar a razão pela qual na Península Ibérica ainda se fala uma língua não Indo-Europeia, o Euskera no País Basco, na fronteira entre a Espanha e a França. "A língua poderá ter sobrevivido devido ao influxo reduzido de migrantes durante a Idade do Bronze" - explica Daniel Bradley, geneticista do Trinity College Dublin.

"A presente investigação, para além de revelar os primeiros genomas completos da Pré-história Portuguesa, reflete o potencial de abordagens interdisciplinares na reconstrução da história genética das migrações humanas, ao envolver investigadores de várias áreas: geneticistas, antropólogos e arqueólogos." diz Ana Maria Silva, bioantropóloga da Universidade de Coimbra.

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Por favor use este link para dar acesso ao artigo disponível na revista PLOS Genetics: http://journals.plos.org/plosgenetics/article?id=10.1371/journal.pgen.1006852

Citation: Martiniano R, Cassidy LM, O ?'Maolduin R, McLaughlin R, Silva NM, Manco L, et al. (2017) The population genomics of archaeological transition in west Iberia: Investigation of ancient substructure using imputation and haplotype-based methods. PLoS Genet 13(7): e1006852. https://doi.org/10.1371/journal.pgen.1006852

Financiamento: Este estudo foi financiado pelo projecto "BEAN" pertencente a Marie Curie Initial Training Network (grant number 289966). LMC foi financiada pelo Irish Research Council Government of Ireland Scholarship Scheme (GOIPG/2013/1219). As instituições financiadoras não estiveram envolvidas na decisão do tópico de estudo, na coleção e análise de dados e na preparação do manuscrito.

Conflicto de interesse: Os autores declaram que não existem conflitos de interesse

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