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Kit identificará variações genéticas sem recorrer a laboratórios

Testes permitirão identificar alterações genéticas que indiquem, por exemplo, a qualidade da carne, as características de mudas e plantas ou ainda a resistência de mosquitos transmissores de doenças

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

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IMAGE: Tests will identify genetic alterations that can be used to measure meat quality, characteristics of seedlings and plants, or pesticide resistance of disease-transmitting mosquitoes. view more 

Credit: Scheme Lab

A Scheme Lab, startup na área de biotecnologia incubada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), está desenvolvendo testes genéticos que poderão ser utilizados em qualquer lugar - numa fábrica, fazenda ou mesmo em casa - sem a necessidade de recorrer à análise de laboratórios especializados.

Esses testes - do tipo Point-of-Care - permitirão identificar alterações genéticas que indiquem, por exemplo, a qualidade da carne, as características de mudas e plantas ou ainda a resistência de mosquitos transmissores de doenças - como o Aedes aegypti - a pesticidas utilizados em seu combate.

"Estamos em fase de protótipo", afirma o biólogo John Katz. Norte-americano, antes de empreender ele fez doutorado na University of Chicago e pós-doutorado na Harvard Medical School e trabalhou como agente de patentes no escritório de advocacia Finnegan Henderson (EUA)

Desde o início, o objetivo da Scheme Lab era desenvolver um novo tipo de diagnóstico que permitisse detectar, de maneira rápida e simples, variações na sequência de DNA de tipo SNP (single nucleotide polymorphism), que representam mais de 90% da variação genética em humanos, Katz explicou. Os testes para a detecção de SNPs podem ser utilizados em pessoas, animais e plantas, para identificar doenças, determinar traços ou identificar indivíduos.

A empresa submeteu proposta à FAPESP por meio de seu Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), a qual foi aprovada no final de 2012. Na primeira fase do projeto http://bv.fapesp.br/en/auxilios/45957, a Scheme Lab focou no desenvolvimento de um protótipo de diagnóstico que pudesse tornar prescindível toda a complexa aparelhagem como termocicladores para PCR, sequenciadores de DNA ou microarrays - apenas laboratórios clínicos são capazes de arcar com a manutenção desses equipamentos e dispõe de pessoal treinado para operá-los.

O protótipo da Scheme Lab é constituído de um kit simples e portátil. Utilizando saliva para dar um resultado colorido, visível a olho nu, foi possível detectar se uma pessoa possui sequências de DNA associadas com olhos azuis, olhos castanhos ou ambos, olhos azuis e olhos castanhos. Os protótipos foram otimizados, e a tecnologia principal e os aperfeiçoamentos patenteados pela empresa, que escolheu o nome Simple SNP para batizar o novo produto.

Diversificação

Testada a tecnologia e sua aplicação, a empresa enxergou a possibilidade de mirar outros mercados. "Trata-se de uma plataforma para teste que permite fazer qualquer sequência genética. Decidimos mudar o foco para empresas e investir em testes customizados", explica Katz.

Na fase 2 do PIPE, já com essa nova perspectiva de mercado, a Scheme Lab desenvolveu duas novas versões do protótipo, uma delas em colaboração com uma empresa agrícola brasileira de grande porte. "Essa empresa produz plantas e busca variedades com características físicas superiores. Muitas das características estão associadas a sequência de DNA de tipo SNP", ele explica. "O teste ajudará a identificar as plantas no próprio local de produção da empresa."

Na fase 3 do PIPE, em andamento, a empresa desenvolve protótipos para a produção do teste genético para uso em agricultura e alimentos. "Um dos alvos é o mercado de carne e o foco são empresas que criam animais ou comercializam a carne", ele exemplifica.

Diagnósticos moleculares tipo Point-of-Care são uma área nova no mercado. "Procuramos parceiros e já conversamos com cerca de 12 potenciais clientes interessados em contar com testes customizados para diagnósticos de traços genéticos para a agricultura, alimentos, saúde, entre outros", diz Katz.

Antes de se lançar como um empreendedor no Brasil, onde está estabelecido desde 2004, Katz consultou sua rede de contatos nos Estados Unidos. "Eles ponderaram que cada país tem suas vantagens e, no caso, o Brasil tinha grande potencial em biotecnologia, além de oferecer recursos para apoiar startup", justifica.

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Sobre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

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