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Pesquisa investiga presença de contaminantes na água tratada

Estudo comparativo entre os sistemas de saneamento nos EUA e no Brasil demonstra a necessidade da aplicação de novas tecnologias para tratamento de compostos químicos gerados pelo homem, alguns deles desreguladores endócrinos

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

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IMAGE: Cassiana Montagner, professor at the Institute of Chemistry and head of the Environmental Chemistry Laboratory of the University of Campinas, during FAPESP Week Nebraska-Texas. view more 

Credit: Heitor Shimizu / Agência FAPESP

Um projeto de pesquisa colaborativa entre Brasil e Estados Unidos visa determinar contaminantes emergentes no ambiente, a partir da comparação de sistemas usados para o tratamento de água e de esgoto em cada um dos países.

Durante a FAPESP Week Nebraska-Texas, evento que ocorreu entre 18 e 22 de setembro nas cidades de Lincoln (Nebraska, EUA), e Lubbock (Texas, EUA), foram apresentados os resultados da pesquisa conduzida por Cassiana Montagner, coordenadora do Laboratório de Química Ambiental da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em conjunto com David Klein, professor de Química Analítica e Ambiental da Texas Tech University (TTU).

Amostras foram coletadas nas mais variadas fontes, como águas de superfície, águas subterrâneas, águas residuais, água de reúso, esgoto e a água tratada que chega às residências.

Segundo a pesquisadora, a presença de contaminantes foi identificada na água tratada, apesar de bem menos do que nas águas de superfície e de outras fontes de abastecimento.

"Comparado com os Estados Unidos, o Brasil tem condições de saneamento muito precárias. Os sistemas convencionais de tratamento de água e esgoto nas cidades brasileiras não são suficientes para a remoção da maioria dos contaminantes emergentes, como o bisfenol, utilizado na produção de plásticos", disse Montagner.

"Os resultados de nossos estudos indicam que alguns dos tratamentos de água empregados no Brasil, se bem realizados, podem remover parte desses contaminantes, mas precisamos adotar mais tratamentos complementares de modo a obter água com qualidade suficiente para ser consumida sem risco", completou a pesquisadora.

Diferentes tipos de contaminantes podem estar presentes na água usada pela população às centenas. Um número menor foi investigado pelos pesquisadores, porém o suficiente para identificar contaminação na fonte analisada.

"A análise da presença desses compostos pode demonstrar o nível de contaminação de mananciais por esgoto. Demonstra também que as estações de tratamento de água não estão sendo eficientes na remoção de contaminantes emergentes", disse Montagner.

A pesquisadora verificou nas amostras a presença de compostos industriais, pesticidas, produtos de higiene pessoal, medicamentos, cafeína, drogas ilícitas, entre outros. "Os compostos são isolados, identificados e quantificados por cromatografia líquida acoplada a espectrômetro de massas."

Um tipo de contaminante emergente identificado são hormônios. "Alguns desses compostos são desreguladores endócrinos, assim chamados porque podem provocar efeitos em nosso sistema endócrino", disse Montagner.

O sistema endócrino é formado pelo conjunto de glândulas que apresentam como atividade característica a produção de hormônios. Há compostos despejados pelo homem no meio ambiente com potencial de desregular o sistema endócrino de humanos e de outros animais. Há suspeita de que isso possa afetar o sistema reprodutivo e causar doenças.

Montagner, Klein e colaboradores publicaram em junho, na revista ACS Omega, da American Chemical Society, o artigo Biophysical Viscosity: Thermodynamic Principles of Per Capita Chemical Potentials in Human Populations, no qual apresentam resultados do projeto.

O artigo destaca que a densidade populacional não é o único fator para determinar o fluxo de contaminantes e que a viscosidade biofísica - resistência de uma região ao fluxo molecular sob uma força ambiental - é uma ferramenta útil para determinar os potenciais químicos per capita dos compostos químicos antropogênicos em análises de risco ambiental.

FAPESP e Texas Tech University (TTU) mantêm acordo de cooperação desde 2014 e já lançaram três chamadas de propostas conjuntas, com 12 projetos de pesquisas selecionados e que são financiados pelas instituições. O projeto de Montagner e Klein foi desenvolvido no âmbito do programa SPRINT - São Paulo Resarchers in International Collaboration, da FAPESP, que seleciona projetos de pesquisadores do estado de São Paulo com diversos parceiros da Fundação no exterior, fornecendo apoio financeiro na fase inicial do projeto (seed funding).

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Sobre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma das principais agências públicas brasileiras de fomento à pesquisa. A FAPESP apoia a pesquisa científica e tecnológica por meio de Bolsas e Auxílios a Pesquisa que contemplam todas as áreas do conhecimento. Em 2016, a FAPESP desembolsou R$ 1,137 bilhão, custeando 24.685 projetos, dos quais 53% com vistas à aplicação de resultados, 39% para o avanço do conhecimento e 8% em apoio à infraestrutura de pesquisa. Saiba mais em: http://www.fapesp.br.

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