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Artigos de revisão colocam modelos animais sob escrutínio

Humane Society International

Um novo artigo de revisão financiado por um grant da Humane Society International foi publicado na revista Plos Pathology. O artigo foi escrito por um grupo de pesquisadores de Portugal, liderados por Margarida Saraiva do i3S - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto e IBMC - Instituto de Biologia Molecular e Celular, também na universidade do Porto e oferece uma revisão crítica sobre o uso de modelos animais para o estudo da tuberculose.

A revisão especializada cujo título é Experimental study of tuberculosis: From animal models to complex cell systems and organoids (disponível em http://journals.plos.org/plospathogens/article?id=10.1371/journal.ppat.1006421) descreve as muitas limitações dos modelos animais atualmente utilizados para se estudar tuberculose, incluindo primatas não humanos, coelhos, cobaias, ratos e peixe-zebra. O estudo também destaca que diferenças anatômicas importantes nesses modelos, em comparação com os seres humanos, previsões ruins de desfechos clínicos e dificuldades no estabelecimento de infecção (a maioria desses modelos não é naturalmente infectada pelo patógeno Mycobacterium tuberculosis, causador de tuberculose) colocam em dúvida a real utilidade dos modelos animais para se estudar a tuberculose, uma doença que mata mais de 1.8 milhões de pessoas por ano e para a qual se necessita urgentemente melhores modelos experimentais. Como alternativa, o artigo de revisão sugere o desenvolvimento e implementação de modelos 3D in vitro de tecido de pulmão humano para se estudar a infecção por M. tuberculosis.

Os artigos de revisão financiados pela organização fornecem um olhar crítico sobre os modelos animais atualmente em uso para se estudar doenças humanas e oferecem recomendações de como estimular e otimizar o desenvolvimento e aplicação de ferramentas e procedimentos que tenham como foco o ser humano, tais como iPSC, organóides, modelos de bioengenharia, modelos computacionais biológicos, entre outros. Desde 2014 um número de artigos de revisão foram publicados sobre doenças tais como Autismo, Doenças Autoimunes, Esclerose Lateral Amiotrófica, Doença Hepática Colestática, Alzheimer, e Asma.

No início deste ano, a HSI anunciou que cinco grupos de pesquisadores na América do Norte e Europa foram agraciados com grants da HSI para a produção de artigos de revisão sobre quatro doenças humanas (Doenças Cardiovasculares, Diabetes, Infecções Flavivirus / Zika e Esteatose Hepática não-alcoólica). As publicações destes artigos de revisão em revistas de livre acesso são esperadas para o ano que vem.

"A idéia de que um determinado organismo vivo complexo pode ser usado como modelo para estudar a biologia e doenças humanas tem gerado uma grande controvérsia nos últimos anos. Nosso objetivo com esse grant é apoiar pesquisadores interessados em realizar uma revisão da bibliografia sobre uma dada doença para então produzir um novo texto que exponha as muitas razões científicas de porque modelos animais não podem nos ajudar a entender melhor as doenças humanas. Nós também queremos contribuir com nova literatura sobre o assunto para chamar a atenção para a necessidade urgente de substituir os modelos animais por alternativas que tenham como foco o ser humano e que sejam mais seguras, mais eficientes, de baixo custo e eticamente aceitáveis ", diz Marcia Triunfol, consultora científico para a HSI no Brasil.

Atualmente a organização possui um grant voltado para cinco países da América Latina (Brasil, Chile, Uruguai, México e Argentina). O prazo para receber propostas dos países elegíveis da América Latina é 30 de novembro. Informações adicionais sobre este pedido de recibo da proposta podem ser encontradas em https://humantoxicologyproject.org/biomed-21-workshops/

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