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Startup usa Inteligência Artificial para analisar comportamento de motoristas

Empresa inovadora do Brasil desenvolve ferramenta que identifica padrão de comportamento e estabelece perfil de motorista com precisão superior a 90%, contribuindo para redução de custos em gestão de frota

Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo

A startup brasileira Cobli (https://cobli.co) tem se especializado em soluções tecnológicas para o monitoramento e a gestão de frotas. Concentrando esforços em segurança, a empresa aprimora uma ferramenta capaz de identificar o padrão de comportamento de condutores de veículos por meio da análise de dados obtidos por rastreadores movidos a energia solar.

O projeto, desenvolvido com base na tecnologia de aprendizado de máquina, área da Inteligência Artificial, contou com apoio (http://www.bv.fapesp.br/pt/auxilios/95809) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, por meio de seu Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE http://www.bv.fapesp.br/pt/3). "A partir dos dados coletados, o algoritmo estabelece um perfil de condução com precisão de mais de 90%", afirma o engenheiro Rodrigo Mourad, um dos fundadores e sócios da Cobli.

Segundo Mourad, em uma ou duas semanas de uso o sistema pode reunir uma quantidade de dados - como velocidades, acelerações, frenagens e ângulos de curvas - suficiente para traçar um perfil do motorista na condução do veículo. Diretamente vinculados à questão da segurança no trânsito, esses dados também têm impacto na economia da empresa, pois uma condução mais agressiva aumenta o consumo de combustível e os gastos com manutenção do veículo.

O sistema também coleta dados sobre localização (por GPS) e desempenho do veículo, gerando informações que podem ser acessadas por um smartphone ou tablet. Em caso de acidente, automaticamente o dispositivo envia uma mensagem de emergência por SMS com a localização do veículo para contatos cadastrados - família ou empresa do condutor.

O sistema desenvolvido pela empresa substitui o convencional "pin identificador" inserido em chaveiros ou cartões e lido por um sensor instalado no veículo - recurso já bastante utilizado pelo segmento de logística. Mourad argumenta que esse sistema pode ser facilmente fraudado, bastando que um motorista empreste seu cartão de identificação a outro. "O hardware é uma solução estática, enquanto a logística é dinâmica", complementa.

Energia solar

A estratégia da Cobli tem sido investir recursos materiais e humanos na ciência de dados e na IoT (Internet das Coisas, do inglês, Internet of Things) aplicados à logística. Por isso, o projeto PIPE, que começou em março de 2017 e deve se encerrar em fevereiro de 2019, atua em duas frentes, para aprimorar tanto a metodologia de coleta como de análise dos dados.

Lucas Brunialti, especialista em sistemas de informação e diretor de tecnologia da empresa, explica que, atualmente, a Cobli coleta dados por meio de um dispositivo eletrônico importado e utilizado, também, por outras empresas da área de logística. Trata-se de um equipamento que se conecta à OBD (do inglês On-Board Diagnostic), a entrada do sistema de controle do automóvel. "Nosso diferencial é o processamento dos dados coletados, que nos permite oferecer relatórios úteis para o planejamento das rotas e gestão das frotas", diz.

Com o apoio do PIPE-FAPESP, em Fase 2 do projeto, a Cobli está desenvolvendo um novo dispositivo que não depende do conector OBD ou de energia elétrica: equipado com uma placa solar de 30x15cm, pode ser fixado em qualquer lugar do veículo que receba luz solar. Segundo Brunialti, o funcionamento por energia solar ampliará as possibilidades de utilização do equipamento: "Ele poderá ser instalado até mesmo na carroceria de um caminhão para fazer o rastreamento da carga", diz o pesquisador. Dotado de uma bateria interna, o dispositivo capta energia solar por algumas horas e, assim, pode ser utilizado também à noite.

A empresa já tem um protótipo do novo dispositivo e espera finalizá-lo até o final do ano. "Vários clientes da Cobli já demonstraram interesse em testar o produto", afirma Mourad.

Desvios no padrão

O outro aspecto do projeto desenvolvido com o apoio da FAPESP é a própria evolução do software. Hoje, o sistema consegue identificar diversas características de comportamento ao volante, o que permite aos clientes da Cobli identificar seus motoristas e orientar, de forma personalizada, os que dirigem perigosamente. Graças a esse sistema, a empresa descobriu, por exemplo, que o motorista que dirige pela cidade de São Paulo tem o hábito de reduzir em cerca de 25% a velocidade do veículo ao se aproximar de um radar e voltar à velocidade anterior imediatamente depois de passar por ele. Além do risco envolvido nas freadas bruscas, o comportamento também resulta em maior consumo de combustível e maior desgaste de itens como pneus e componentes de freio.

O desafio, agora, é desenvolver um algoritmo que identifique desvios no comportamento padrão do motorista. A partir de um motorista já reconhecido pelo sistema, o objetivo é detectar, rapidamente, anomalias que possam estar relacionadas à ingestão de entorpecentes, sono ou uso do celular ao volante. Para chegar a um resultado eficiente, a parceria com as empresas será fundamental na fase de alimentação de dados do sistema, diz Mourad. "Identificada uma alteração no padrão de condução do veículo, entraremos em contato com a empresa para que ela verifique o que está ocorrendo."

Startup premiada

Atualmente, a Cobli conta com uma equipe de 50 funcionários, sendo 20 deles especialistas em desenvolvimento de produto. "Temos engenheiros, cientistas de dados, analistas financeiros, designers e até antropólogos, pois precisamos conhecer bem o cliente para tornar o sistema mais útil e fácil de usar", descreve Mourad.

Toda essa estrutura foi criada em apenas três anos. A empresa nasceu em 2015, depois que o empreendedor norte-americano Charles Parker Treacy identificou o Brasil como uma oportunidade de negócios. Graduado em Matemática pela Universidade Duke, Treacy cursava, então, um MBA na Universidade de Harvard e decidiu investir no setor de logística no Brasil. A empresa nasceu sem o apoio de incubadora ou de instituto de pesquisa. Instalada na cidade de São Paulo, começou com capital dos sócios e escritório próprio.

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Hoje, com mais de 300 clientes em todo o país, a Cobli coleciona prêmios, como o "Harvard Business School - New Venture Competition", em 2016, quando competiu com 190 empresas de todo o mundo.

Este ano, foi incluída na lista das "100 startups brasileiras para ficar de olho", divulgada no início de abril. O ranking é resultado de uma parceria das revistas Pequenas Empresas & Grandes Negócios e Época Negócios, da Editora Globo, com a Corp.vc, da consultoria EloGroup. As 100 empresas foram destacadas entre 1,3 mil inscrições. E a Cobli entrou no ranking juntamente com mais oito startups do estado de São Paulo apoiadas pelo PIPE.

Sobre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP)

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma das principais agências públicas brasileiras de fomento à pesquisa. A FAPESP apoia a pesquisa científica e tecnológica por meio de Bolsas e Auxílios a Pesquisa que contemplam todas as áreas do conhecimento. Em 2016, a FAPESP desembolsou R$ 1,137 bilhão, custeando 24.685 projetos, dos quais 53% com vistas à aplicação de resultados, 39% para o avanço do conhecimento e 8% em apoio à infraestrutura de pesquisa. Saiba mais em: http://www.fapesp.br.

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