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Investigadores descobrem molécula envolvida na reparação de lesões no fígado com potencial para ser biomarcador

Instituto Gulbenkian de Ciencia

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IMAGE: Comparação entre tecido hepático saudável (esquerda) e tecido com lesão (direita). view more 

Credit: Nádia Duarte, IGC.

Um estudo que envolve investigadores do CEDOC da NOVA Medical School|Faculdade de Ciências Médicas e do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) e liderado por Maria Paula Macedo (CEDOC)) e Carlos Penha-Gonçalves (IGC), publicado na revista internacional Hepatology Communications, revelou que a molécula CD26/DPP-4 se encontra envolvida na regeneração de lesão aguda do fígado e é um promissor biomarcador em situações de doença hepática.

A ação mais conhecida da DPP-4 é a regulação da secreção da insulina aquando a ingestão de alimentos. A inibição desta molécula através de fármacos tem ganho relevância terapêutica na regulação dos níveis "dos açúcares" em indivíduos com diabetes tipo 2. Para além do seu papel no controlo glicemia, a molécula CD26/DPP4 parece também estar envolvida em reações inflamatórias em diversos processos patológicos.

No trabalho agora publicado, os investigadores estudaram o papel da DPP4 no dano do tecido hepático. Sabe-se que quando há lesões no fígado ocorre uma redução acentuada do número de células imunitárias do fígado, denominadas por células de Kupffer. Os investigadores descobriram agora que os níveis sanguíneos da DPP-4 se encontram aumentados nos períodos em que a população das células de Kupffer se encontra diminuída, tanto no dano hepático agudo como no dano hepático crónico. Os autores observaram ainda que após deleção das células imunitárias do fígado os níveis de atividade enzimática do CD26/DPP-4 no sangue aumentam significativamente, em ratinho. Assim, estes resultados traduzem uma relação íntima entre alterações funcionais nas células imunitárias do fígado, associadas a doença hepática, e a molécula CD26/DPP-4.

Fica evidenciado neste trabalho uma interligação entre as populações de células imunitárias do fígado e a atividade enzimática de CD26/DPP-4 no sangue, sugerindo que esta medida poderá vir a constituir um valioso parâmetro bioquímico na avaliação da doença/lesão hepática.

Paula Macedo acrescenta que "as doenças hepáticas são muito prevalentes nos indivíduos com pré-diabetes e diabetes afetando em Portugal mais do que 75% dos indivíduos que padecem de diabetes. Como ambas são doenças silenciosas não são atempadamente diagnosticadas. A severidade das doenças hepáticas é de difícil diagnóstico pois para serem precisas dependem de biopsia hepática. Neste contexto este estudo permitiu desvendar um biomarcador sanguíneo de patologias mais acentuadas no fígado sempre que existe compromisso das células imunitárias do fígado."

"Este trabalho proporciona uma ligação funcional entre a diabetes e as doenças do fígado. Nós mostrámos que a mesma molécula (CD26) que é alvo terapêutico de alguns fármacos com ação antidiabética também interfere na recuperação de doenças hepáticas.", diz Carlos Penha Gonçalves, investigador principal do laboratório de Genética de Doenças no Instituto Gulbenkian de Ciência.

Este estudo teve o apoio das instituições acima referidas, da Fundação para a ciência e Tecnologia, da Sociedade Portuguesa de Diabetes e da Comissão Europeia.

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