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Estudo do vírus Zika aponta possíveis causas de malformações do cérebro

Technical University of Munich (TUM)

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IMAGE: A equipe científica do Estudo do vírus Zika (da esquerda para a direita): Pietro Scaturro, Prof. Andreas Pichlmair e Dr. Alexey Stukalov. view more 

Credit: Astrid Eckert / Technical University of Munich

Em seres humanos saudáveis, o vírus Zika provoca os sintomas de uma gripe. Mas em caso de infecção durante uma gravidez, podem ocorrer no feto, através de mecanismos ainda não desvendados, malformações do cérebro. Um estudo realizado pela Universidade Técnica de Munique (TUM) e pelo Instituto Max-Planck de Bioquímica (MPI-B) mostra que o vírus Zika promove a ligação de proteínas celulares que são necessárias para o desenvolvimento neurológico.

O vírus Zika tem se espalhado há alguns anos na América do Sul, tendo-se tornado um problema de saúde global. Muitas mulheres, que entraram em contato com o vírus, na América do Sul, através da picada de um mosquito pela primeira vez no início da gravidez, deram à luz à crianças deficientes. Os bebês sofriam de microcefalia. Nasceram com um cérebro demasiado pequeno, o que pode implicar deficiências mentais e outras anomalias neurológicas significativas.

Foi possível demonstrar que as infeções pelo vírus Zika provocam estas malformações. Por que motivo ocorrem continua, até à data, sem explicações. O Prof. Andreas Pichlmair e a sua equipe do Instituto de Virologia da TUM e o MPI-B pesquisaram como o vírus afeta as células do cérebro humano. Descobriram assim quais as proteínas do vírus que podem provocar malformações do feto no útero materno.

Efeito secundário perigoso da multiplicação viral

"O vírus Zika está estreitamente relacionado com o vírus da Hepatite C e com alguns vírus existentes nos trópicos, como o vírus da Dengue e o vírus do Nilo Ocidental. É, no entanto, o único vírus que provoca malformações do cérebro em recém-nascidos." explica Pichlmair, responsável pelo novo estudo, na revista especializada "Nature".

Os cientistas descobriram que o vírus utiliza determinadas proteínas celulares para multiplicar o seu próprio material genético. Estas moléculas são, simultaneamente, importantes fatores neurológicos para que uma célula estaminal se desenvolva numa célula nervosa (neurônio). "Os nossos resultados sugerem que o vírus retira estes fatores do desenvolvimento cerebral e os utiliza para a multiplicação do seu material genético. Desta forma, o cérebro não se pode desenvolver corretamente." explica o virologista.

Quando a equipe de Pichlmair removeu os fatores das células, o vírus multiplicou-se com muito menos facilidade. Conseguiram até demonstrar quais proteínas do vírus entram em contato com esses fatores de desenvolvimento e esclarecer as malformações cerebrais. "Estudos anteriores indicaram que proteínas do vírus são necessárias para a multiplicação do material genético do vírus. Não se conhecia, no entanto, de que forma essas proteínas afetavam a célula. Aparentemente, são elas as responsáveis - talvez involuntariamente - pelas anomalias graves provocadas nos fetos.", afirma Pichlmair.

Imagem exata da infeção viral

A equipe de pesquisa identificou através do seu grande estudo proteômico, proteínas celulares que foram quimicamente ou em termos de número alteradas devido ao vírus, ou que se ligaram a proteínas do vírus. Desta forma, foram capazes de mostrar não só o que poderia provocar as malformações, como ter uma imagem exata de como o vírus reprograma a célula a fim de utilizá-la para a sua própria multiplicação.

O efeito do vírus Zika sobre a célula era enorme: nove por cento de todas as proteínas celulares foram quimicamente alteradas e proteínas do vírus interagiram com mais de 380 proteínas celulares. "A nossa exaustiva coleta de dados deverá servir também para que outros cientistas demonstrem possibilidades de desenvolvimento de abordagens terapêuticas para a eliminação do Zika ou de vírus similares." afirma Pichlmair.

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Fotos de alta resolução: https://mediatum.ub.tum.de/1452568

Publicação

Pietro Scaturro, Alexey Stukalov, Darya A. Haas, Mirko Cortese, Kalina Draganova, Anna Płaszczyca, Ralf Bartenschlager, Magdalena Götz and Andreas Pichlmair: An Orthogonal Proteomic Survey uncovers novel Zika virus Host Factors, Nature, September 2018, DOI: 10.1038/s41586-018-0484-5. https://www.nature.com/articles/s41586-018-0484-5

Contato:

Prof. Dr. Andreas Pichlmair
Universidade Técnica de Munique
Instituto de Virologia
Tel: +49 89 4140-9270
andreas.pichlmair@tum.de
http://www.tum.de

Informações adicionais: O estudo foi promovido pelo ERC (Conselho Europeu de Pesquisas) e pelo Centro Alemão de Pesquisa de Infecções.

Instituto de Virologia da TUM https://www.virologie.med.tum.de/en/home/

Perfil do Prof. Andreas Pichlmair http://www.professoren.tum.de/en/pichlmair-andreas/

Grupo do Prof. Andreas Pichlmair https://innatelab.virologie.med.tum.de/

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