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Observatório da COVID-19: resposta desastrada piora a situação no Brasil

A iniciativa da Universidade de Miami tem monitorado os dados relativos à resposta em termos de políticas de saúde pública para determinar como a rapidez ou a lentidão nos esforços de mitigação afeta

University of Miami

O Brasil, que seguiu o inepto exemplo do México e não formulou rapidamente políticas de saúde pública nacionais para conter a pandemia do coronavírus, tornou-se agora líder mundial em termos de infecções e mortes por dia, de acordo com os dados mais recentes fornecidos pelo Observatório da COVID-19 na América Latina.

Em um webinário realizado na terça-feira, em três idiomas, integrantes da iniciativa liderada pela Universidade de Miami que fornece dados em tempo hábil numa tentativa de melhorar as respostas de saúde pública do governo e salvar vidas, juntamente com um epidemiologista brasileiro de destaque, analisaram o estudo do observatório sobre o Brasil.

"Essa é uma discussão muito oportuna, já que a América Latina tornou-se agora o novo centro das infecções e mortes pela COVID-19, onde ocorrem 40% das mortes registradas diariamente em todo o mundo, e o Brasil entrou numa fase crítica de sua resposta à pandemia da COVID-19", disse o presidente da Universidade de Miami, Julio Frenk, definindo o contexto do webinário.

Frenk, que foi ministro da Saúde no México e é especialista em saúde pública mundial, destacou as "enormes demonstrações de solidariedade, o serviço e o sacrifício na região, especialmente por parte dos profissionais de saúde da linha de frente e dos pesquisadores" em sua busca de combater o contágio.

"É nesse espírito de solidariedade que estamos apresentando esses dados", ele disse, "porém, infelizmente, estamos testemunhando os perigos da demora em tomar medidas por parte dos governos populistas, que tendem a desacreditar a ciência e as provas - o que colocou milhões de vidas em risco."

O Observatório da COVID-19 da América Latina foi criado pelo Instituto de Estudos Avançados das Américas, da Faculdade de Medicina Miller, Faculdade de Artes e Ciências, e Faculdade da Comunicação, em colaboração com parceiros de pesquisa em toda a América Latina. O primeiro conjunto de dados foi divulgado várias semanas atrás e se concentrou no México; esse segundo conjunto concentra-se no Brasil, com uma análise comparativa regional.

Utilizando dez variáveis, o observatório fornece informações atualizadas diariamente sobre as políticas de distanciamento físico e de saúde pública que foram implementadas em nível nacional e subnacional, e é o único consórcio a oferecer dados regionais em nível estadual desse escopo, explicou Felicia Marie Knaul, diretora do Instituto de Estudos Avançados das Américas e professora do Departamento de Saúde Pública da Faculdade Miller.

Knaul explicou que o observatório pretende continuar avaliando outros países na região e também fortalecer sua colaboração com o Brasil. Ela enfatizou a importância de fornecer dados em nível estadual que possam ser facilmente visualizados no website.

"Do ponto de vista da pesquisa, conseguiremos ver as diferenças em diversos estados e países, o que nos ajudará a entender o que funciona e o que não funciona numa situação de pandemia. E isso deverá nos ajudar a nos prepararmos para o futuro e nos trará informações sobre o que poderemos enfrentar numa segunda onda da pandemia atual", disse Knaul, que tem tido um papel fundamental para promover a iniciativa.

"Além disso", ela continuou, "o que vimos no México, no Brasil e em outros países com grandes variações é que se conseguirmos mostrar que alguns estados estão tendo melhores resultados do que outros, poderemos mostrar aos estados que têm uma política de saúde pública fraca ou mesmo àqueles que já implementaram uma política sólida, mas ainda estão registrando mobilidade, que eles precisam ajustar suas políticas públicas". Essa análise, segundo ela, pode fornecer "uma oportunidade para uma melhoria geral em nível nacional, pedindo-se aos estados que trabalhem juntos para terem resultados tão bons quanto aqueles que já estão tendo um bom desempenho".

Knaul observou que o Brasil, que tem agora mais de 1.000 mortes por dia e está em trajetória de subida, é agora o novo centro da pandemia mundial.

"Nosso coração está com todas as pessoas que moram no Brasil e que estão no epicentro, estamos acompanhando a situação, e estamos à disposição para oferecer todo o apoio que pudermos", ela disse.

Alberto Cairo, Knight Chair em jornalismo visual e professor da Faculdade de Comunicação, foi o moderador do webinário. Cairo fez parte do projeto de colaboração da faculdade e desempenhou o papel importante de traduzir - linguisticamente, textualmente e visualmente - os dados do website e sua apresentação.

Nos dados anteriores sobre o Brasil, o consórcio observou que o governo do presidente Jair Bolsonaro havia perdido um tempo precioso enquanto a COVID-19 se propagava pelo país, e essa demora obrigou os governos locais e estaduais a enfrentarem a situação por conta própria.

Em sua apresentação, Michael Touchton, professor adjunto de ciências políticas, diretor do corpo docente do setor de saúde mundial do instituto e especializado no Brasil, destacou o impacto das disparidades nas diferentes respostas dos estados brasileiros e outras tendências mais recentes.

Touchton observou que os estados que tiveram melhores resultados não foram os mais ricos nem aqueles geralmente considerados como tendo os melhores governos. As explicações políticas, ou seja, se o governador do estado apoiava ou não o presidente brasileiro, fornecerem os melhores indicadores sobre o controle do contágio por cada estado.

Os estados relativamente marginalizados da região Nordeste do país responderam com mais agressividade e tiveram resultados muito melhores, assim como alguns estados do norte do país. E os governadores de partidos da oposição desses estados tomaram medidas muito mais rígidas do que as recomendadas pelo governo de Bolsonaro, Touchton comentou.

Cesar Victora, epidemiologista brasileiro e diretor do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas, apresentou uma análise detalhada e baseada em pesquisas domiciliares de 133 cidades-sentinela nos 27 estados do Brasil.

Respondendo a uma pergunta do público, Frenk disse que o elemento comum tanto para controlar a pandemia quanto para abrir a economia na América Latina e em qualquer outro lugar é fazer testes, para monitoramento e diagnóstico.

"Não é uma coisa ou outra; os dois objetivos, o controle e a abertura, têm que acontecer juntos", disse Frenk. "Se reabrirmos a economia de forma negligente e rápido demais, teremos um pico. E talvez seja preciso paralisar a economia uma segunda vez."

"E o terceiro elemento é uma comunicação clara", Frenk continuou. "Informar as pessoas para que adotem o distanciamento físico, protejam seu espaço pessoal usando máscaras e tomem medidas abrangentes de higiene pessoal. É essa combinação que permite abrir a economia com segurança e controlar a pandemia."

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Visite a plataforma interativa do observatório da COVID-19 aqui: http://observcovid.miami.edu/

- http://www.news.miami.edu -

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