News Release

Nova luz sobre a misteriosa origem dos Elefantes de Bornéu

Peer-Reviewed Publication

Instituto Gulbenkian de Ciencia

Bornean Elephant

image: The Bornean elephant is the smallest of all elephants. It is also said to be the gentlest. It can only be found in the north of Borneo in a area representing less than 5 percent of the island, mainly in the state of Sabah (Malaysia). view more 

Credit: Rudi Delvaux (http://www.rudidelvaux.com/borneoenglish.html)

De onde vêm os elefantes do Bornéu? Esta podia ser mais uma das “Histórias Assim” de Rudyard Kipling. O elefante de Bornéu é uma subespécie de elefantes asiáticos que só existe numa pequena região do Bornéu. A sua presença nesta ilha do sudeste asiático tem sido um mistério. Agora, num estudo publicado na revista Scientific Reports*, uma equipa de investigação liderada por Lounès Chikhi, do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC, Portugal) e do CNRS – Université Paul Sabatier (França), e por Benoit Goossens, da Cardiff University (País de Gales) e da Sabah Wildlife Department (Malásia), descobriu que os elefantes podem ter chegado ao Bornéu numa altura em que existia uma ponte de terra entre as Ilhas da Sonda no Sudeste da Ásia.

Até há pouco tempo, duas teorias diferentes tentavam explicar a origem dos elefantes do Bornéu: podiam ter sido introduzidos recentemente por humanos, talvez há 300 anos, ou podiam ter divergido dos elefantes da Ásia há muitos anos. Existem registos históricos que reportam que Sultões vizinhos ofereceram elefantes ao Sultão do Bornéu no século XVII, o que sugere que os elefantes atuais seriam elefantes não-nativos que se tornaram selvagens. Por outro lado, há cerca de 15 anos, um estudo genético mostrou que o DNA de elefantes do Bornéu era muito diferente do de elefantes da Ásia, sugerindo uma separação muito antiga, por volta do 300,000 anos. No entanto, não foram encontrados fósseis de elefantes no Bornéu, embora existam fósseis de outros mamíferos, como orangotangos.

Para esclarecer o mistério da origem dos elefantes no Bornéu, a equipa de Chikhi e de Goossens usou análise de dados genéticos e modelação computacional para estudar a história demográfica antiga destes animais. Não é fácil fazer esta reconstituição histórica, ainda mais quando não existem registos fósseis para guiar o trabalho. “O que nós fizemos foi criar modelos computacionais para diferentes cenários que podem ter ocorrido. Depois, comparámos os resultados destes diferentes modelos com dados genéticos existente e usámos técnicas de estatística para identificar o cenário que melhor explica a atual diversidade genética da população de elefantes no Bornéu”, explica Lounès Chikhi.

Os resultados da equipa sugerem que o cenário mais provável de ter ocorrido é a colonização natural do Bornéu, há cerca de 11,400 a 18,300 anos. “Este período corresponde a uma altura em que os níveis do mar estavam muito baixos e os elefantes podiam migrar entre as ilhas de Sonda, uma arquipélago do Sudeste Asiático ao qual pertence o Bornéu. Não podemos excluir cenários mais complexos, mas uma introdução histórica humana parece ser improvável, tal como uma chegada muito antiga”, esclarece Reeta Sharma, investigadora do IGC e primeira coautora deste artigo.

Atualmente, com menos de 2000 indivíduos que sobrevivem num ambiente cada vez mais fragmentado, e com notícias regulares de envenenamento ou mortes de elefantes do Bornéu, o futuro é ameaçador para esta espécie em risco. “A sua distribuição geográfica muito limitada e a reduzida diversidade genética comprometem o futuro da população de elefantes. Compreender as suas origens e a demografia passada será útil para o desenvolvimento de uma estratégia de conservação a longo prazo, especialmente numa altura em que nós, no Sabah Wildlife Department, e parceiros, estamos a desenhar um Plano de Ação a 10 anos para o elefante do Bornéu”, diz Goossens. O investigador nota que “face às recentes mortes de elefantes para o comércio de marfim e durante conflitos, os habitantes de Sabah têm de compreender que é o seu património natural que está a ser atingido, e têm de tomar uma posição a favor da vida selvagem e condenar os que matam estas criaturas magníficas. Devemo-nos orgulhar da nossa vida selvagem. Os elefantes são parte do património de Sabah e não nos podemos dar ao luxo de perder mais animais.”

Este trabalho foi desenvolvido por uma equipa internacional de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), da Universidade de Cardiff (Reino Unido), do Danau Girang Field Centre (Malásia), do Sabah Wildlife Department (Malásia), da Universidade de Copenhaga (Dinamarca), da Universidade de Leicester (Reino Unido), e da Universidade de Bristol (Reino Unido). Este estudo foi financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT, Portugal), pelo Laboratoire d'Excellence (LABEX) (França), pelo Laboratoire International Associé BEEG-B (França), pela Darwin Initiative for the Survival of Species (Reino Unido), pelo US Fish and Wildlife Service Asian Elephant Conservation Fund (EUA), pelo Elephant Family and Columbus Zoo, e pela Danish Research Council and Villum Foundation.

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* Sharma, R., Goossens, B., Heller, R., Rasteiro, R., Othman, N., Bruford, M.W., Chikhi, L. (2018) Genetic analyses favour and ancient and natural origin of elefants on Borneo. Scientific Reports. DOI: 10.1038/s41598-017-17042-5 http://www.nature.com/articles/s41598-017-17042-5


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